Luthier
Fabricante de Gaitas -de-Fole
Bagpipes Maker
Brasil - Brazil


Estudos Comparativos

 

Em Agosto de 2007, compareceram em minha oficina dois gaiteiros de duas cidades litorâneas do Estado de São Paulo. Suas gaitas-de-fole galega precisavam de alguns ajustes, como a troca das buxas (que são as partes atadas ao fole onde os tubos sonoros e o soprete são encaixados) e do fole (bolsa de ar).

Consigo, trouxeram gaitas-de-fole feitas por dois artesãos galegos, sendo um não muito conhecido internacionalmente, diferente do outro.

O estudo que, em verdade, não foi aprofundado (nem científico) e sim apenas superficial ou comparativo, evidenciou as diferenças de timbre e potência sonora dos instrumentos em questão, além dos aspectos de afinação e estética.

As comparações foram feitas, também, entre as duas gaitas espanholas e a gaita galega que Luques constrói sendo, desta forma, um estudo realizado entre três instrumentos musicais, sendo dois feitos na Galiza (região espanhola fronteiriça ao Norte de Portugal) e um no Brasil, feito por Luques.

Não citaremos os nomes dos dois luthiers espanhóis por questões éticas óbvias, mesmo porque, as duas gaitas-de-fole espanholas eram muito boas e o objetivo deste relato é apenas o de mostrar, ao público que desconhece o instrumento, (ou àqueles que acreditam já o conhecerem o suficiente), que ainda há espaço para a criatividade nos tempos modernos em que vivemos, onde a massificação (padronização) extingue, muitas vezes, séculos de diversidade cultural.


Acesse também a página "perguntas frequentes" "mito ou verdade ?"

Gaita-de-Fole Galega em Dó, feita por Luques®,
em madeira de Peroba - Agosto de 2007

Morfologia do Fole
- A gaita-de-fole feita na Galiza possuia o fole um pouco menor.
- A gaita feita por Luques possuia o fole um pouco maior.
- A conclusão disto é que, à princípio, um pequeno esforço a mais é necessário para encher o fole feito por Luques. No entanto, após isto realizado, torna-se mais fácil tocar o instrumento por haver menor necessidade de reposição de ar enquanto o instrumento musical é tocado.


Torneado da Madeira
- A gaita espanhola feita pelo artesão menos conhecido mostrava ter formas torneadas mais refinadas.
- A gaita feita pelo artesão renomado mostrava ter formas torneadas menos refinadas.
- A gaita feita por Luques mostrava ter formas torneadas mais retas e extremidades mais arredondadas, mais parecidas com as feitas no norte português.
- Nos três casos, todas as gaitas estavam bem feitas sendo que, cada artesão, seguiu seu próprio estilo.

Franjas (Farrapos)
Franjas servem de enfeites que deixam o instrumento mais bonito esteticamente. Segundo alguns estudos, atualmente há uma tendência em fazê-las (comprá-las) já industrializadas, ao contrário das feitas antigamente, em teares.
- As franjas utilizadas nas gaitas espanholas mostravam ser as industrializadas, feitas com fio brilhoso e fino, dando excessivo "balanço" mas pouco volume;
- As franjas utilizadas nas gaitas de Luques são feitas de material mais pesado, em teares, feitas artesanalmente, usando fios que dão maior volume.

Capa do Fole
O estudo revelou que o tecido utilizado para a confecção da capa do fole é o mesmo, tanto na gaita espanhola quanto na feita por Luques, possuindo aparência aveludada e sendo de material resistente.

 
Posição do Soprete.
Soprete é a parte utilizada pelo gaiteiro para soprar ar para dentro do fole, que é o saco reservatório de ar.

- A gaita feita pelo luthier galego possuia o soprete posicionado ao centro, no topo do fole. Isto faz com que o gaiteiro tenha que colocar o instrumento um pouco para a direita (se for destro) para que o soprete fique posicionado próximo aos seus lábios.

- A gaita feita por Luques possui o fole confeccionado de forma que o soprete é atado à este ficando voltado para o lado direito (para destros) sendo desnecessário que o gaiteiro tenha que virar o instrumento para o lado desejado. O soprete já fica posicionado, por si só, na direção dos lábios do gaiteiro.

Esta não é uma regra geral, no caso das duas gaitas (feita por Luques ou pelo espanhol menos conhecido). Cada luthier faz o instrumento de acordo com suas necessidades e preferências, não sendo, de forma alguma, uma melhor que a outra. Há os que utilizam o método mais antigo, usando o formato do próprio animal (pescoço e patas) para atar os tubos sonoros e soprete. Outros preferem o método mais moderno, cortando, costurando e adaptando o fole à um formato que atenda às preferências de alguns gaiteiros.

Potência Sonora do Ponteiro
- As duas gaitas espanholas soaram com potência semelhante.
- A gaita de Luques soou um pouco mais forte.
A conclusão, à "princípio" (pois nada foi apurado cientificamente) são as palhetas utilizadas, que eram diferentes.

Som da gaita galega de Luques (clique aqui)
Som da gaita galega "x" (clique aqui)

Palhetas
Este é um assunto polêmico: há os que rejeitam palhetas sintéticas; há os que aprovam; há os que são neutros em sua opinião e há os que aprovam as duas (cana e sintética).

- O Estudo mostrou que a sintética, até onde pôde-se observar, parece ser superior à de cana, seja em relação à durabilidade, potência sonora, etc. Manteve-se a afinação e o timbre surpreendeu aos "ouvidos" do gaiteiro experiente, pois quando a gaita que usava palheta sintética foi tocada, ele pensava ser esta uma palheta de cana.
- A conclusão à que chegamos neste pequeno estudo comparativo foi que, mais uma vez, se o material utilizado é de boa qualidade (cana ou sintético) e se a palheta foi feita seguindo todas as normas e medidas corretas, o instrumento soará bem. Outra conclusão foi a questão, mera e simples, da preferência: cada qual defende os seus gostos.
Palhetas sintéticas são usadas em vários instrumentos musicais de sopro, inclusive gaitas-de-fole GHB escocesas, francesas, italianas, do Leste Europeu, etc.

Ronco e a Ronqueta
Para os que são leigos no assunto, ronco e ronqueta são tubos sonoros que emitem uma nota contínua, que serve de acompanhamento à melodia que é executada através do ponteiro (oboé melódico) pelo gaiteiro.

- O estudo comparativo demonstrou que os roncos da gaita do luthier espanhol menos conhecido soavam com potência intermediária;
- Os roncos do luthier galego renomado soavam com potência sonora um pouco mais baixa, talvez por uma questão de gosto pessoal;
- O ronco da gaita galega feita por Luques soava mais potente do que as outras duas espanholas. A ronqueta, também produzia maior intensidade sonora.

Som do ronco da gaita de Luques (clique aqui)
Som do ronco da gaita "x" (clique aqui)

Som da ronqueta da gaita de Luques (clique aqui)
Som da ronqueta da gaita "x" (clique aqui)

Som do ronco e ronqueta da gaita de Luques tocados juntos
(clique aqui)

Som do ronco e ronqueta da gaita "x" tocados juntos

(clique aqui)

Cabe aqui salientar que a comparação entre a potência sonora entre os três instrumentos não qualifica nenhum deles como melhor que o outro, apenas mostra as diferenças que podem atender aos variados gostos de cada músico.

Ponteiro
Ponteiro é um oboé melódico, onde a melodia é executada pelas mãos do gaiteiro. Explicando à "grosso modo", é como se fosse uma flauta equipada de uma palheta.
- O ponteiro feito pelo luthier galego menos conhecido tocava até a nota Ré da segunda oitava;
- O ponteiro feito pelo luthier galego renomado tocava até a nota Fá da segunda oitava;
- Igualmente, o ponteiro feito por Luques tocava, também, até a nota Fá da segunda oitava.
O estudo demonstrou que o luthier galego menos conhecido, provavelmente, prefere manter a afinação do instrumento seguindo a "escola antiga" onde um dos maiores professores foi o conhecidíssimo Antón Corral. Atualmente, alguns ponteiros do Corral tocam como os modernos.

O estudo também demonstrou que Luques constrói o instrumento seguindo uma outra vertente, igual a do luthier renomado, que são as gaitas galegas modernas, que tocam até uma oitava e meia e também as notas cromáticas.
Luques também construiu alguns ponteiros seguindo a "escola antiga", não a instituída pelo grande mestre Antón Corral, mas a da "lógica" que guiou todos os luthiers do passado que construiam instrumentos de sopro de secção interna cônica.

Conclusão
Como dito acima, o estudo não teve como objetivo evidenciar qual é o melhor instrumento e sim mostrar diferenças entre os métodos construtivos de cada luthier, o que faz da gaita-de-fole um instrumento rico em diversidade, mesmo com a crescente tendência de padronização do mesmo.


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